segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Um relato de Alberto



Alberto é o nome do garoto. Isso explica quem ele é? Provavelmente não.. Que tal dizer que ele tem uma altura mediana, ou que tem olhos muito escuros, ou cabelo levemente desleixado, chegando a altura dos ombros. E agora, podemos entender quem é esse garoto?
Um outro fato sobre ele. Sempre disseram que esse garoto não tinha futuro, não fazia parte de nada. Quanto a ele, nunca acreditou nisso. Chegou a duvidar, sim, mas acreditar, não. A bem da verdade que o seu histórico de vida parecia uma grande sequência de coisas que aconteceram com ele por acaso. É como se o grande Deus que regesse a vida de Alberto fosse um chamado Inércia. Mas se você conversar um pouco com Alberto, vai ver que ele não tinha adoração por esse Deus. Pode-se dizer até uma certa aversão por Inércia.
Essa rejeição começou no ponto de interrogação e avançou até um grito de rejeição. A decisão de sair de baixo das asas desse Deus chamado Inércia. A partir deste momento seria a hora de provar que este garoto tem futuro. Alberto não será deixado de lado pela vida.

Alberto leu um livro, que falava sobre um perpétuo (não um Deus, algo mais antigo e mais....bem, mais perpétuo) que atendia por vários nomes, dentre eles Kai'Ckul. Este é o moldador dos sonhos, que por sua vez é irmão de outros 6 perpétuos, que não nos interessam para compreender Albert, com exceção de um deles, aquele que chamam de Destino.
Alberto conseguiu por meios pouco ortodoxos, através de uma longa troca de favores com o Moldador dos Sonhos, uma audiência com o próprio Destino. O objetivo era ter a resposta para uma única pergunta, a qual penetrou profundamente em seu coração após sair da sombra de Inércia. A pergunta era: Há neste seu livro do Destino uma referência a minha existência?
Pois dado uma confirmação da existência dele, estaria provado que o rapaz teria de fato um local no mundo, provaria que vários estiveram errado ao opinar sobre a sua própria existência e então seria momento de dar início a uma nova longa jornada, a de construir o próprio caminho! Até porque, quem consegue uma audiência com o próprio Destino, com certeza pode achar seu lugar no mundo.
Destino respondeu sua pergunta. Sua voz não oscilou, não demonstrou emoção, não demonstrou interesse. Ele apenas relatou, como cabia a seu ofício.
Destino disse: Por toda a extensão deste livro, não há uma única menção a sua existência. Seu gênese teve início em uma rasura neste livro, e jamais sendo reconhecido novamente até o fim de suas páginas. Somente por isso você pode estar aqui em minha presença, pois nunca na existência do universo, ou mesmo antes de sua criação ou depois de sua destruição, receberei uma visita de um mortal, e mesmo após você ter voltado ao mundo onde acidentalmente reside, não receberei tal visita.
Alberto está de volta ao “mundo onde acidentalmente reside”. A sombra de Inércia, mais uma vez lhe acolhe.

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